"Foi assustador quando ele disse que precisava dizer algo. Em meio a toda aquela situação, qualquer ação imprevisível era nitidamente um sinal de alerta. Ela sentiu o coração apertar, e uma descarga de adrenalina esfriou todas as suas extremidades. Ela sentiu o medo por dentro de suas veias, e tudo isso não durou mais que alguns segundos, mas o tempo parecia parar. Quando ele disse o que pretendia, o coração dela derreteu. Ela conseguia ouvir os batimentos do seu coração, como se ele estivesse bem atrás de suas orelhas, suas mãos tremeram e sua respiração vacilou por um instante. Depois aquele calor, que ela já conhecia, envolveu todo o seu corpo, como um abraço, e ela respirou aliviada. Se olhou no espelho e seu sorriso era histérico, ela ainda custa a acreditar no que leu...Demorou para conseguir cair no sono, revia a cena repetidas vezes, hesitou um minuto pensando em levantar e ler os históricos. Caiu no sono, no mais profundo e tranquilo deles. Acordou cantarolando, o calor não foi momentâneo, seu coração estava dilatado, feliz. Há um certo tempo ele não conseguia ficar assim, sem um apertãozinho de dúvidas... E o dia seguiu tranquilo, alguns telefonemas, e uma conversa descontraída, até que inesperadamente, algumas palavras lhe tiraram o fôlego novamente... Ele disse que estava sentido saudades. Ela mal se suportou sobre as pernas, precisou sentar-se. Riu um pouco, e falou qualquer coisa sem pensar. Ela estava feliz demais pra continuar com aquela conversa, e precisava voltar-se para dentro e curtir sozinha, no auge do seu egoísmo, aquela sensação que tanto esperou reencontrar."
Acabou.
Não tem mais jeito, sabe a hora que você tem que aceitar que não tem outra maneira? Acabaram todas as minhas munições, minhas armas estão falidas, não há mais nada pra fazer, nem maneiras pra tentar continuar a lutar. É a hora que com humildade você levanta bandeira branca, correndo o risco, é tudo ou nada. Ou tudo vai parar e se acertar, ou você vai ser bombardeado sem piedade. O pior acaba acontecendo, e na hora que você sente aquele buraco sendo rasgado no peito, e finalmente você desiste, se entrega, enquanto você ouve uma voz fraca surgindo de dentro, bem no fundo, implorando pra você tentar, suplicando por um pouco mais de força. Você pensa em atender ao pedido, mas na tentativa de mais um suspiro, o que te feriu rasga ainda mais, entrando fundo e impedindo a sua resistência. É o fim, e você continua tentando respirar por extinto, mas a dor impede qualquer perseverança, e aos poucos tudo a sua volta vai se apagando. É o fim, só resta se entregar sem mais delongas, e aguardar ansi...
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